um segundo
Ele ia caminhando numa rua deserta. Alguns carros parados, outro com a janela quebrada. Um poste não funcionava. Apagado. Uns prédios com todas as luzes escuras, outro com dois andares de claridade.Havia chovido naquela noite, a rua toda molhada fazia com que seus passos se molhassem. Na verdade, ainda caia uma rala leva de gotas. O que não o fazia parar. Continua andando.
Ninguém passou por ele. Estava sozinho numa rua que não conhecia. De onde veio? Não importava. Pra onde estava indo?
Parou. Era uma encruzilhada. Um sinal de trânsito trocava de cor com um forte estampido, mas não havia veículo para respeita-lo. Ficou ali, sem saber que rumo tomar, que direção seguir. Virar a esquerda, seguir em frente ou tomar a direita? Não sabia, a sua única certeza era que não voltaria atrás.
Sentou no meio-fio e ficou pensando. Como na obra de Rodin, cotovelo no joelho e mão no queixo. Dúvida.
Um carro passou. Na janela, por coincidência havia alguém que ele conhecia. Gostava muito dessa pessoa. Furou o farol e tomou a direita, sem percebe-lo. Seria o caso de seguir essa pessoa que tanto estimava? Nem bem teve tempo de responder a sua própria pergunta, viu um gato branco, de olhos azuis, a sua esquerda. E agora? Poderia pegar o felino e correr pra rua que o carro desapareceu. Não, não era uma boa idéia.
Decidiu seguir em frente, talvez cruzasse de novo com o pequeno ser albino ou até, o motorista do carro o atropelasse, se reencontrariam e este o levaria pro hospital, com a perna quebrada.
O problema é que logo a frente, depois de atravessar guaritas de prédios e caçambas de entulhos, secou a testa, que já estava molhada (seria suor ou chuva?), se deparou com uma bifurcação. E agora? Dúvida.


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